quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Durante este semestre a professora Nádie me pediu que enviasse a ela uma apresentação minha para que ela pudesse anexar na sua tese. A seguir transcrevo-a:

Minha Apresentação
Eu me chamo Mara Núbia Bilhalva Braum. Nasci na cidade de Tapes. Meus pais se chamam Otávio Lemos Bilhalva e Francisca Trescastro Bilhalva, são pessoas simples, agricultores, com pouca instrução escolar, mas com enorme sabedoria, que através de sua vida nos transmitiram exemplos de honestidade, perseverança, sinceridade, disciplina e acima de tudo amor!!!!! As dificuldades ao longo da vida foram muitas, mas eles nunca deixaram que faltasse o essencial para nós. Tenho dez irmãos e quando a família se reúne é sempre uma grande festa!
Tenho 45 anos, sou casada a 26 anos com o amor da minha vida: Ricardo Braum. Atualmente moramos no Balneário Rondinha no município de Arroio do Sal. Mas já moramos em Campo Bom, Taquara e Novo Hamburgo. Temos três filhos lindos, inteligentes, educados, competentes, amados... Chamam-se Natalia (23 anos), Leonardo (19 anos) e Augusto (11 anos). Minha família é meu maior tesouro!
Sou professora a 22 anos mais ou menos porque nem parece que faz tanto tempo assim. Amo o que faço e acredito que somente através da educação poderemos realmente transformar nosso mundo em um lugar melhor para se viver e lutar para que permaneça aquilo que está bom. Sou bastante carinhosa, mas exigente em tudo o que eu faço, estou sempre me cobrando o melhor. Procuro diversificar, preparar aulas criativas e espero que os alunos tenham iniciativa, busquem com entusiasmo mais e mais conhecimentos e que sejam motivados a querer sempre questionar e fazer sempre diferente. Vibro junto com cada aluno nas suas conquistas, que não são poucas. A cada dia eles descobrem e redescobrem novos conhecimentos, informações, sensações. É muito bom ser professora. A rotina não existe e a gente não envelhece porque o contato com crianças e jovens nos renova sempre. Procuro ir crescendo cada dia. Buscando idéias novas e novos saberes, sem desistir e retomando o ânimo e a coragem de tentar outra vez porque se não foi maravilhoso na primeira vez, temos a chance de buscar ajuda e melhorar sempre mais.
Assim, em 2006, buscando uma educação de qualidade, foi que tive uma das mais significantes vivências de toda a minha existência, o meu ingresso na UFRGS. Posso dizer que foi um marco na minha vida pois a construção que venho fazendo desde então é engrandecedora demais tanto profissional como pessoalmente pela maneira como os conhecimentos são adquiridos promovendo a discussão, o diálogo, num trabalho cooperativo, de uma forma diversificada, inteligente, num espaço de interação e colaboração, apesar da distância, que não dificulta em nada a formação de redes através do ROODA, do e-mail particular e do grupo e do MSN.
Quando comecei a estudar na UFRGS, em 2006, eu dava conta de todas as atividades sem problemas com os prazos, apesar das dificuldades tecnológicas iniciais pois tive que aprender muitas coisas referentes a tecnologias, mas que com o tempo foram se tornando pequenas e meu primeiro semestre foi maravilhoso pois eu conseguia dar conta dos prazos e ainda visitava trabalhos dos colegas, lia,comentava...
Em novembro de 2006 eu e minha família realizamos um sonho. Inauguramos nosso Auto Posto Rondinha onde trabalhamos nós e mais ninguém. Foi aí que meu tempo acabou extrapolando e até o início de 2008 eu tive que estudar e cuidar das minhas atividades do posto de gasolina no escritório do posto o que fez com que minhas atividades muitas vezes fossem entregues com atraso o que me deixava muito mal. Agora finalmente tenho meu próprio notebook e uma internet móvel. O que me permite fazer minhas atividades onde quer que eu me encontre.
Espero de agora em diante poder dar conta da casa, da família, posto de gasolina, UFRGS e Escola Dietschi, onde trabalho com Português na 5ªsérie e Artes de 5ª a 8ª e desenvolvo um projeto que se chama “Envolva-se com a Dietschi” que além de ajudar na preservação do meio ambiente, busca parcerias com toda a comunidade e através do qual já conseguimos comprar seis computadores, todos eles ligados a internet e que permitiu que criássemos a página www.escolaprofessordietschi.pbwiki.com e onde estamos criando e linkando blogs criados por cada um de nossos alunos e postando atividades realizadas na e pela escola.
É isso...

Organização e Gestão da Educação

Após a leitura do texto

"A ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA BRASILEIRA EM PERSPECTIVA HISTÓRICA: ÊNFASE NO PERÍODO REPUBLICANO E NA EDUCAÇÃO ELEMENTAR"
e consulta as constituições indicadas no site
Stela Maris da Rosa Dias, Maria do Carmo Dewes e eu reconstituímos através de uma linha de tempo no programa XTIMELINE as seguintes questões relativas as constituições federais de
1934, 1937, 1946, 1967 e 1988:
- contexto sociopolítico e econômico;
- a obrigatoriedade do Estado na manutenção e expansão do ensino público;
- a gratuidade do ensino público (níveis e modalidades);
- a vinculação de recursos (de impostos) à educação;
- a forma de ingresso dos professores no magistério público.

Para acessar nossa linha de tempo clique em

FECOARTE NA E.E.E.F. Professor Dietschi

No dia 12 de novembro de 2008 a Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Dietschi de Rondinha esteve ainda mais iluminada, pois os alunos reunidos em grupos ou individualmente e orientados pelos professores apresentaram seus trabalhos demonstrando apropriação de múltiplos conhecimentos, além de decorar lindamente cada um dos estandes, abrilhantando a FECOARTE (Feira do conhecimento e Arte).
A abertura ocorreu às 8h e 30 minutos com o pronunciamento da diretora da escola professora Enilda Pioner logo após o hasteamento das bandeiras com o canto do Hino Nacional e com a presença de alunos, pais, professores, funcionários e jurados convidados para apreciarem o desempenho dos alunos. O evento se prolongou até as 17 horas com parada apenas para o almoço.
Os trabalhos trataram de assuntos diversos que foram da escolha dos alunos e começaram a ser construídos no início do ano letivo nas turmas de 1º Ano até 8ª série, incluindo o EJA. Objetiva-se com esta feira conscientizar a comunidade escolar da importância do ato de estudar, estimular a pesquisa, construir conhecimentos e saber repassá-los, motivar o estudo constante, a criatividade, a curiosidade e a vontade de aprender mais sobre assuntos do interesse de cada educando.
Durante o processo era comum perceber a troca de material entre os grupos já que muitas vezes os alunos se encontravam enquanto buscavam informações sobre seu trabalho informando-se sobre os assuntos que os outros estavam pesquisando e assim o exercício da solidariedade foi constante no dia a dia dos alunos, professores, funcionários da escola e dos pais que interagiram com os filhos na realização dos projetos.
Além dos conhecimentos apresentados pelos alunos, o evento contou com uma exposição de Arte onde os visitantes tiveram a oportunidade de apreciar belas obras de criação e releitura realizadas durante o ano e também apresentações de dança de salão.
Os títulos apresentados foram:
Conhecendo Arte; Tudo sobre Diamantes; Vulcões e Terremotos; Envolva-se com a Dietschi; Mário Quintana, Poesia sua Arte; Reciclagem Consciente; Infoaprendizagem; Fungos e bactérias; Fácil... Fácil... Multiplicar; Monteiro Lobato; Diversidade Cultural; Surf; Oficina do Folclore; História da Escrita; Borboletas; Como Descobrir Quadrados; Grafite não é Pichação; DST; Projeto de Pesquisa; A Vida no Gelo; Filhotes dos Animais; Conhecendo o Pulmão; Diálise; Biodiversidade de Arroio do Sal; Energia Eólica; Automóvel; Brincando com Arte e Descobrindo Palavras.
Foi um dia inesquecível onde os grupos salientaram-se pela organização, empenho, seriedade, qualidade do trabalho de pesquisa, criatividade na decoração do estande, apropriação de conhecimentos e apresentação oral. O sucesso da feira somente foi possível devido a grande união entre toda a comunidade escolar em que está inserida a Escola Professor Dietschi.
Acredito que com o decorrer de trabalhos como este os alunos passam a exercer realmente seu papel de aluno cidadão enquanto escolhe, traz outras possibilidades, pesquisa, estuda, prioriza, define e torna-se participativo na construção de um mundo mais justo e igualitário onde todos tenham a oportunidade e o prazer da transformação.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Aguardem em breve
nosso Projeto Envolva-se com a Dietschi
no Jornal do PEAD
No dia 31 de outubro estiveram visitando o andamento do Projeto Envolva-se com a Dietschi a Professora Nádie Christina Ferreira Machado e a jornalista Alessandra Nevado.
Primeiro quero dizer da grande honra que foi recebê-las na nossa escola e mostrar a elas o empenho e a união das mães e alunos presentes em transformar o espaço e os elementos que temos através do nosso envolvimento.
Elas puderam ver a fabricação de sabão, a seleção do lixo, os monitores do laboratório de informática, a separação e soma das notas fiscais, enfim...
Foi uma tarde muito agradável na companhia de pessoas tão delicadas e interessadas em conhecer e divulgar o Projeto Envolva-se com a Dietschi.
Projeto Envolva-se com a Dietschi

Em setembro de 2008 tivemos o prazer de receber o convite para parceria no Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do RS na capacitação da comunidade local do litoral norte e médio, em relação à fabricação de sabão a partir da reciclagem de óleo de cozinha apoiando o Projeto "Conservação de Fauna no Litoral Norte e Médio do Rio Grande do Sul", no edital Petrobrás Ambiental 2008.

A utilização do óleo de cozinha como matéria prima para a fabricação caseira de sabão vem sendo desenvolvida desde abril de 2008 por nosso grupo e tem alcançado resultados significativos na comunidade de Arroio do Sal, no Litoral Norte do RS. Nesse sentido acreditamos que a participação no projeto venha a ser uma oportunidade ímpar para a disseminação dessa prática de geração de renda para comunidades carentes no litoral norte e médio do Rio Grande do Sul.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Organização do Ensino Fundamental

Concepções e Normas de Currículo e de Avaliação

A legislação permite autonomia à escola para escolher o tipo de cidadão que pretende formar através do currículo que propõe e da avaliação que faz dos seus alunos.
Uma educação de qualidade requer que os sujeitos envolvidos conheçam as regras a que estão submetidos, no entanto esta não é a realidade encontrada na minha escola. Neste semestre, tivemos uma estagiária que ao estudar o Projeto Político Pedagógico da escola, fez alguns questionamentos que acabaram fazendo com que a equipe de gestão da escola, propusesse um estudo deste plano desconhecido para a maioria dos atuais professores, funcionários, alunos e pais.
Ainda estamos estudando e fazendo as reformulações que julgamos necessárias. Mas, particularmente penso que toda a mudança deve ocorrer de dentro para fora e infelizmente ainda estamos longe de adquirir consciência coletiva para juntos buscar a transformação e uma real educação de qualidade. Percebo ações isoladas que fazem a diferença, mas para fazer acontecer em educação é necessário garra, coragem, persistência, envolvimento, conhecimento, embasamento teórico e às vezes acabo me sentindo uma formiguinha em meio a um bando de gafanhotos.
Lendo o projeto político pedagógico da escola encontro em suas linhas um encorajamento na busca de uma educação libertadora, democrática... Mas, a começar pelo regime seriado pois determina o tempo que todos os alunos terão para aprender determinados conteúdos, sem considerar os percursos individuais e as construções coletivas até a avaliação que diz contemplar o aluno como um todo mas classifica-o ao final de cada trimestre e seleciona-o ao final de cada ano mostra que as frases bonitas são apenas no papel. Acredito mais no regime ciclado onde para o sistema de produção e começa o progresso, a aprendizagem, a construção do conhecimento de onde o aluno está e não parar e começar tudo de novo. Afinal todas as aprendizagens são assim, não se determina um tempo para a criança começar a andar por exemplo, ela vai adquirindo confiança durante cada passo que ela dá e assim vai seguindo e no seu tempo ela começa a andar com segurança. Penso que o regime ciclado funciona bem melhor mas volto ao ponto anterior, nossas cabeças têm que mudar primeiro pois o trabalho de toda a comunidade escolar é coletivo, a construção é grupal e a sistemática da avaliação deve ser muito criteriosa, cuidadosa, detalhada e por isso mais trabalhosa entretanto os resultados compensam com uma responsabilidade de fracasso que deixa de recair somente sobre o aluno reprovado para construir, repensar uma educação que realmente tenha qualidade, competência, envolvimento...

" O aluno não vai à escola para tirar notas,
vai para aprender, para crescer,
para se desenvolver."
Freinet, educador francês

REFERÊNCIAS:
http://www.centrorefeducacional.com.br/progrcont.htm
SILVA, Maria Beatriz Gomes da, Organização Curricular da escola e Avaliação da Aprendizagem,
Organização e Gestão da Educação

Educação Nacional e sistemas

Numa república federativa como é a do Brasil, os estados têm poder para implementar suas próprias políticas.
No entanto, sabemos que na história recente do Brasil, durante o regime militar este federalismo sofreu estancamento pela centralização e o controle exercido pelo poder central.
N a década de 80, período de abertura política e quando então a democracia se fortaleceu com o clamor do povo que saiu às ruas explanando seus desejos após décadas de silêncio, as bases federalistas foram reavivadas e recuperadas.
A oferta educacional brasileira nasceu descentralizada, pois antes do Brasil tornar-se república, as províncias e os municípios já eram responsáveis pelo ensino primário e/ou secundário.
Esta interpretação se manteve após a instalação da república, quando a atuação do governo central nesta esfera poderia até ser um desrespeito segundo alguns pontos de vista.
De lá para cá, a União tem construído uma organização nacional, mas a gestão e financiamento do ensino básico continuam se mantendo como responsabilidades dos estados e municípios.
Já na constituição de 1988 lemos que os sistemas de ensino, federal, estadual e municipal devem ser organizados em regime de colaboração no que se refere à oferta, ao financiamento, ao planejamento e a normatização da educação.
Pela Emenda Constitucional Nº 14/96, a colaboração entre os sistemas deve priorizar o ensino obrigatório (fundamental).
A oferta de educação infantil e ensino fundamental deve ser priorizada pelos municípios, os estados devem priorizar o ensino fundamental e o ensino médio enquanto a União financia a rede pública federal de ensino e presta assistência financeira e técnica aos estados e municípios, garantindo equalização de oportunidades e padrão mínimo de qualidade de ensino.
Quanto ao financiamento, a constituição estabelece que o governo federal deve aplicar na educação 18% e os estados e municípios 25% do impostos recolhidos.
A constituição de 1988 definiu que devem ser elaborados planos plurianuais nacionais de educação e de acordo com a LDB, estados e municípios também devem elaborar planos de educação articulando níveis de ensino, integrando as ações do poder público e com a contribuição dos três níveis governamentais.
Os poderes legislativo, executivo e judiciário participam e interferem na normatização da educação elaborando leis, complementando a legislação existente e julgando sua inconstitucionalidade.
Apesar de estar na lei o regime de colaboração que deve existir entre os sistemas de ensino, ele ainda caminha a passos lentos. O envolvimento dos sujeitos com a educação é quase inexistente se considerarmos o número de pessoas que estão ligadas a educação em todos os sistemas de ensino.
A prática anda ao lado da organização formal da lei em todos os níveis a começar pelas nossas escolas. É tão difícil reunir um grupo que queira discutir e colocar em prática ações que viabilizem um ensino mais cooperativo, interativo, interdisciplinar... E isto somente se agiganta como uma imensa bola de neve ao se afastar da nossa escola e andar para uma esfera municipal, estadual, federal...
Eu não lembro qual o termo usado pela professora Isabel na aula presencial, mas ela instigava que as decisões deveriam ser tomadas debaixo para cima. Pensei numa escola onde pudéssemos pensar e lutar pelos ideais desta comunidade e que as decisões não viessem de cima para baixo. Mas isto é um sonho que só vai acontecer no dia em que nós educadores apesar dos nossos horários complicados criarmos laços afetivos importantes com os alunos e a comunidade onde nos encontramos e acreditar na educação, lutando para que ela realmente aconteça e que através dela possamos ter feito a diferença para que um mundo melhor esteja por vir.
Acredito que somente desta forma com educadores que acreditam no seu potencial e no de seus alunos, vamos conseguir que os sistemas de ensino cooperem entre si e parem com o jogo de empurra, empurra porque nós aceitamos isso, somos inseguros e não acreditamos de verdade como grupo que luta assim como uma mãe luta até o fim sem abandonar seus filhos, por isso é que os sistemas não funcionam... Começa sim por cada um de nós!

Bibliografia

- FARENZENA, Nalú. Federalismo e Descentralização. Porto Alegre, 2007 (mimeo).
- FARENZENA, Nalú. Responsabilidades das esferas de governo para com a educação. Porto Alegre, 2007 (mimeo).
- FARENZENA, Nalú. Sistemas de Ensino. Porto Alegre, 2007 (mimeo).