sábado, 13 de novembro de 2010

O Blog da turma com a qual eu trabalho está ficando cada vez mais diversificado. Os alunos e um colega professor que conheci na outra escola onde trabalho são colaboradores e portanto autores do blog o que traz idéias muito interessantes para serem compartilhadas por todos.

O professor João Victor, que além de proofessor é técnico em informática, vem geralmente uma vez por semana no dia em que vamos para o laboratório,  mas também atua a distância postando no blog. Ele tem um blog da turma dele que já foi visitado e comentado pelos meus alunos e eu. O que meus alunos mais gostaram no blog deles é que tem jogos e então eles entraram, jogaram, comentaram e pediram para o professor João Victor colocar jogos no nosso também.

Os alunos em sua maioria não têm computador ou não têm internet em casa então fazem suas postagens na escola naquela uma vez por semana em que vamos ao laboratório mas tenho uma aluna que virou blogueira e ela costuma entrar no blog em sua casa para além de jogar, fazer postagens acerca de suas aprendizagens e também registrar suas perceopções acerca da aula, combinações do grupo, enfim. O blog está ficando muito interessante e vale a pena visitar pois nos remete a reflexões acerca da utilização dos jogos e do uso da tecnologia.


Piaget (1945-1971) afirma que o intercâmbio cultural realizado na brincadeira propicia à criança desenvolver noções de lógica, pois esta procura usar palavras que são comumente compreendidas, fazer afirmações verdadeiras e pensar logicamente.

“apresentar o computador à criança, desmistificá-lo, mostrar à criança o seu potencial e as suas limitações, ensinar a criança a utilizá-lo e a dominá-lo, são funções a que nenhuma escola pode-se furtar hoje. Amanhã já será muito tarde.”(Chaves, 2004)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Esta semana depois da troca de livros feita semanalmente na biblioteca da escola cada grupo escolheu uma obra para fazer a dramatização ficou sensacional e eu me recordei justamente da disciplina de Literatura oferecida pelo PEAD onde nós alunos tivemos que encenar uma peça.

Mais ou menos envergonhados todos nós tivemos que nos preparar para o grande dia e foi maravilhoso pois tivemos oportunidade de conhecer habilidades que até então não conhecíamos uns dos outros. Descobrimos cantores, maquiadores, humoristas, hábeis costureiras, cabeleireiras, enfim... quando vejo agora meus alunos produzindo vejo que eles também aos poucos vão descobrindo suas habilidades e se auto conhecendo e conhecendo e aceitando melhor o outro.
O teatro é um conhecimento que ultrapassa a idéia do desenvolvimento de uma forma de expressividade ou de desinibição, mas que possibilita também o desenvolvimento da operatoriedade(FÜRTH,1987,P.178). Conforme explica Ana Carolina Fucks, o fazer teatral torna possível uma maior compreensão por parte do indivíduo de si e do mundo que o cerca, pois exige uma reestruturação física e mental para tornar materiais e artísticas as idéias que pretende comunicar.
Viola Spolin, pesquisadora norte-americana, desenvolveu o sistema de aprendizado da linguagem teatral baseado na improvisação. A proposta dos jogos teatrais de Spolin está relacionada a "fisicalização", que é tornar físico, expressar e trazer para o plano material o que há no plano das intenções, das imagens, das sensações, dos pensamentos.

Numa postagem chamada sala de aula, minha paixão encontrei meu relato sobre a turma com a qual eu trabalhava em Rondinha: 12 alunos, idade entre 10 e 13 anos, a maioria das mães dona de casa, os pais em sua maioria comerciantes, aposentados e funcionários públicos.

Comecei a comparar com a minha turma atual: 31 alunos, idades entre 9 e 10 anos, a maioria das mães e pais trabalhadores na indústria de calçados.

Mas... Na sala que agora está repleta de alunos e portanto mais apertadinha também se encontra um cantinho para livros de literatura, também se faz muito trabalho de arte, também sentamos em grupos e a minha proposta de interação entre os alunos, entre as turmas, com os pais e com os outros setores da escola continua sendo batalhada dia após dia para que uma escola mais justa, igualitária, moderna e eficiente deixe de ser uma utopia para tornar-se realidade.

A contribuição que a educação pode trazer aos indivíduos não é a aquisição de um “corpo de conhecimentos”, algo exterior a ele, mas, possibilitar a “elaboração ou reelaboração de alguma forma reflexiva do sujeito consigo mesmo” (LARROSA, 1999, p.36).

Encontrei a primeira postagem de perguntas onde citei um texto chamado “Qual é a questão” extraído da obra "Internet em sala de aula", Porto Alegre: Artmed, 2003 "
"Questões que provavelmente não seriam as que o professor faria aos alunos como convite a estudar, abrem janelas inusitadas para que o conhecimento se construa interdisciplinarmente."
E aí eu me lembrei de como começamos na época lá em Rondinha minha amiga Stela e eu a instigar nossos alunos a fazerem perguntas e nos projetos lindos que construímos todos juntos.
Procurando a obra de onde retirei a citação acima encontrei o blog de uma colega do PEAD, a Roseli http://peadportfolio156683.blogspot.com/2010/10/qual-e-questao.html  que também fez uma postagem onde ela coloca que a aprendizagem a partir das perguntas tem sabor... E  que o medo de perguntar e se expor desaparece frente ao prazer de ir em frente.
“deveríamos pensar em criar ambientes abertos à explorações e interações, onde os alunos pudessem alimentar seus interesses e curiosidades, efetuar escolhas e ter o tempo necessário para experimentações.” Beatriz C. Magdalena e Iris Elisabeth Tempel Costa¹ (2003,p.2)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010


Eu fiquei emocionada ao reler o memorial infância que fiz durante a graduação: Parece que tinha cheiro de quando eu era pequena.
Depois o caminho da escola e a apresentação da minha escola. Foram tantos detalhes descritos... senti muitas sensações ao me lembrar de cada espaço descrito criteriosamente por mim mesma desde a minha casa onde morávamos todos juntos: meu marido, meus três filhos e eu até a escola onde tive a oportunidade de tantas trocas... e onde eu trabalhava com minha grande amiga Stela que foi quem me incentivou a fazer o vestibular na UFRGS e com quem continuo mantendo uma estreita relação de amizade apesar da distância física.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se:
A vida não está aí apenas para ser suportadada nem vivida,
Mas elaborada. Eventualmente reprogramada.
Conscientemente executada.
Muitas vezes, ousada.
                                                Lya Luft

Cada um de nós é diferente e nosso olhar sobre um determinado assunto é diferente porque reflete nossa história genética e de vida, enfim muito de nós mesmos, como percebemos numa atividade em que tivemos que escrever sobre o filme “O encouraçado Potenkin”, cada um de nós produz suas verdades. Importante é respeitar, valorizar as diferenças como forma de crescimento, de transformação, de mudança...
Nossa própria prática deve ser repensada. As tecnologias estão aí e não podemos deixar que passem fingindo que não estamos vendo senão nossos alunos passarão e nós é que ficaremos. As músicas tão contestadas pelos professores nos fones de ouvido em sala de aula poderiam virar paródias na revisão de conteúdos. A produção de texto individual sem conversa poderia virar texto formiga onde todos contribuem para a construção e torna-se uma atividade prazerosa. Quem sabe se permitirmos que outros olhem conosco para dentro da nossa sala, aceitar que eles dêem sua opinião e buscarmos mais qualificação possamos alcançar a tão sonhada educação de qualidade. Porque é certo que ninguém está errado, todos pensam em fazer o melhor, no entanto ou somos donos da verdade ou nos sentimos inseguros e nem uma coisa nem outra é a verdade porque todos nós temos uma bagagem importante, mas não podemos deixar de buscar nos qualificar.
“ Tão errado é confiar além dos limites quanto errado é não confiar.”(Paulo Freire)

Historicamente a educação foi monopólio de poderosos. Na época em que os portugueses chegaram ao Brasil, a Igreja Católica mantinha poderio total. Com o desenvolvimento econômico e a modernização foi-se tentando organizar a educação formal. O Brasil conta com educadores mestres na arte de educar com Paulo Freire que prestou imensa contribuição, mas todos nós ainda temos muito caminho pela frente para contribuir para que num  futuro não tão distante possamos ter um sistema social, econômico e político menos perverso, mais justo e humano onde todos tenham oportunidades iguais.
Para isso precisamos nos questionar sempre, permanecer inquietos para que possamos lutar contra a dominação dos cargos e também contra as forças dos próprios professores que estão acomodados na profissão, sem ânimo para encontrar caminhos que nos levem a outras ilhas desconhecidas.
“A autoridade coerentemente democrática está convicta de que a disciplina verdadeira não existe na estagnação, no silêncio dos silenciados, mas no alvoroço dos inquietos, na dúvida que instiga, na esperança que desperta.”( Paulo Freire)