domingo, 14 de dezembro de 2008

Mais um semestre se passou. Mais um workshop enfrentado. Desta vez fiquei por último e fui ficando muito nervosa a cada apresentação dos colegas que há que se dizer estavam muito boas. Nosso crescimento é visível. Percebo as falas de todos nós, cada vez mais cuidadosos e embasados.

Para começar minha apresentação falei dos instrumentos democráticos existentes na minha escola que são eleição de diretores, conselho escolar, CPM e que não garantem uma gestão democrática pois não basta apenas votar, é preciso participar o que é em minha opinião antes de uma ação, participar é um estado de espírito.

Depois continuei falando do Projeto Político Pedagógico, a escola sonhada e do Regimento Escolar, documento que disciplina o caminho do sonho. Estes, precisam ser convergentes seguir um mesmo objetivo, serem claros, funcionais, transparentes e construídos por todos os segmentos em busca da responsabilidade assumida por cada um que gerará por certo muitos conflitos mas que chegará a superação destese ao vislumbre de novos horizontes.

Terminei contando da FECOARTE da Dietschi. Iniciada na metade do primeiro semestre deste ano quando trabalhamos as perguntas em Seminário Integrador IV. Levei a idéia para a escola, os alunos pesquisaram sobre assuntos do interesse deles e apresentaram no dia 11 de novembro. Foi um sucesso onde pudemos observar a inclusão digital em que nossos alunos estão inseridos pois utilizamos os e-mails, blogs e messengers para tratar das peculiaridades de cada trabalho construído pelos grupos, além de questões como autoria, oralidade e criatividade na apresentação dos trabalhos o que gerou uma grande apropriação de conhecimentos e pleno exercício de solidariedade pela troca entre alunos, professores, funcionários e pais de alunos.

"Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino, continuo buscando, reprocurando, ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade." (Paulo Freire, 1996.p.32)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Plano Individual de Estudos

No quarto semestre fomos incumbidos de criar um plano individual de estudos. Coloquei então a minha dificuldade em escrever um texto acadêmico utilizando linguagem formal e embasada teoricamente, venho tentando ler e escrever melhor a cada trabalho, mas tenho consciência da minha grande dificuldade. No quarto semestre tive a oportunidade de publicar um trabalho na Fundação Zoobotânica intitulado EDUCAÇÃO AMBIENTAL COM A COMUNIDADE DO ENTORNO DO PARQUE NATURAL MUNICIPAL TUPANCY, ARROIO DO SAL (RS),disponível em http://peadportfolio156808.blogspot.com/2008_06_01_archive.html. Esta experiência foi extremamente significativa para mim, pois pude pesquisar e aprender junto com a minha filha que trabalha no Parque Tupancy num projeto que acabou se estendendo durante todo o ano letivo e me levou a entrar de cabeça no Projeto Envolva-se com a Dietschi que além de dar uma atenção especial a natureza ainda ajuda a escola e toda a comunidade em que a escola e o parque estão inseridos.

Outro compromisso assumido foi melhorar meu desempenho tecnológico otimizando também meu tempo que é bastante curto em função das atividades que exerço na escola onde atuo como professora de Artes e Português no turno da manhã, no posto de gasolina da família em que cuido da parte financeira (é extremamente desgastante para mim), na UFRGS como aluna dedicada que procuro ser, na casa onde preciso manter a organização, a alimentação e o aconchego do lar, dar carinho e atenção aos três filhos e marido que são o meu porto seguro. Neste semestre meu filho Leonardo de 19 anos resolveu de uma hora para outra ir morar com a avó e trabalhar e estudar longe de casa onde ele possa se mandar. Para nós foi e está sendo bem sofrido porque temos muita saudade dele.

Bem mas neste semestre aprendi baixar as músicas que eu gosto da internet, colocar as fotos da máquina no noteboock, gravar arquivos na pendrive, enfim...Aprendizados importantes que eu só conquistei graças ao meu ingresso na UFRGS. Não que eu não tivesse acesso a tudo isso antes, pelo contrário eu tinha todas as ferramentas e por desconhecer o seu potencial não valorizava e isto eu atribuo ao meu ingresso no PEAD. Desde o início do curso eu procurei deixar bem claro que a minha intenção ao me dedicar ao curso sempre foi melhorar a minha prática. Por isso fiquei tão feliz ao ouvir a professora Marie Jane dizer no nosso primeiro encontro: - os alunos de vocês serão os primeiros a ganhar com este curso. E desde então é isso que procuro fazer: levar aos meus alunos tudo que de bacana eu venho aprendendo no PEAD.

Este ano conseguimos, através do Projeto Envolva-se com a Dietschi, uma sala anexa a biblioteca da escola onde temos seis computadores ligados a internet para uso exclusivo dos alunos onde aprendi muito na troca com meus alunos. Criei uma página www.escolaprofessordietschi.pbwiki,com com links de todos os blogs que meus alunos criaram nas aulas de artes e depois utilizaram em todas as outras disciplinas, principalmente nos projetos da feira do conhecimento em que eles puderam pesquisar durante todo o ano sobre o assunto que lhes despertasse maior curiosidade. As apresentações dos trabalhos aconteceram em novembro e foi maravilhoso ver os próprios alunos utilizando suas pen drives, me mandando os trabalhos por e-mail para que eu pudesse dar um parecer, emprestando material uns para os outros num clima de muita solidariedade e aprendizado.
Com tudo isso consegui me organizar melhor lendo os trabalhos dos meus alunos on line e muitas vezes já conversando com eles no MSN solucionando dúvidas rapidamente. Outra ferramenta tecnológica que me facilitou o trabalho neste semestre foi a aquisição de um modem para conectar no noteboock. Apesar da péssima qualidade de conexão, é um aliado a mais na minha busca por novas aprendizagens e entrga dos trabalhos nas datas previstas.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Organização do Ensino Fundamental

Elementos da Gestão Democrática

" O aluno não vai à escola para tirar notas,
vai para aprender, para crescer,
para se desenvolver."
Freinet, educador francês

Conforme o professor Jorge Najar falou em debate no Programa Salto para o Futuro, todo ser humano nasce para viver junto com alguém e, portanto nasce pronto para fazer democracia. Quando escutei logo me lembrei do filme Náufrago, onde a personagem vivida por Tom Hanks acaba tendo que ficar durante muito tempo numa ilha deserta e precisa prover-se de todo o aparato para suprir suas necessidades de sobrevivência. Acontece que ele está sozinho, sente necessidade de ouvir a opinião de alguém e acaba criando um amigo fictício com uma bola de vôlei, o Sr Wilson. Por que então os alunos muitas vezes são proibidos de trocar idéias? Por que não escutamos o que os agentes envolvidos na educação de nossos alunos têm a nos dizer? Por que pais, alunos e comunidade em geral não se sentem a vontade para opinar nas reuniões? Creio que seja pela cultura extremamente autoritária que nos trouxe até aqui. A nova LDB possibilita uma gestão mais democrática que é a pedra preciosa citada pelo colega Edinei Rodrigues Mittmann que nos foi dada muito bruta ainda e que precisamos no exercício da cidadania lapidar chamando a comunidade para dentro do espaço escolar, problematizando, gerando conflitos... Nesta relação que é conflitada, mas positiva, escola e comunidade, conforme a professora Isabel Letícia P. de Medeiros, se aprimoram e chegam a outros níveis de conflitos que permitem a visualização de outra realidade com certeza mais democrática que a anterior.
Nesta perspectiva democrática a LDB concede autonomia às escolas para a proposição do currículo e avaliação que quer fazer, permitindo consultar os sujeitos envolvidos para que juntos possam discutir, analisar e escolher o que for melhor, que mais se encaixa dentro de cada realidade para a construção de uma nova escola com uma nova qualidade implicando co-responsabilidade em todos os processos que envolvem a escola.
Escola é lugar de aprender, inclusive aprender democracia e democracia se aprende fazendo.
Profª Isabel Letícia P. de Medeiros (Programa Um salto para o Futuro)
Para a construção do PPP é importante aliar discurso e prática. Teorizar uma escola sonhada através de discussão e análise da prática, definir qual a escola que queremos e qual cidadão pretendemos formar. Aquele aluno que é convidado a participar desde cedo das decisões da sua comunidade não será um adulto acomodado com certeza continuará participando das decisões nas comunidades onde estará inserido futuramente. Se quisermos uma sociedade mais justa onde todos tenham vez e voz tem que começar pela escola respeitando o direito de decisão que todos os integrantes do processo educacional têm.
O Regimento Escolar vem disciplinar o caminho a ser percorrido em busca da escola sonhada. Todas as normas além de terem sido construídas através de democracia participativa devem ser claras, transparentes, funcionais, perseguirem o mesmo objetivo e ter princípios norteadores.
Na escola onde trabalho ainda não tem gestão participativa, apesar de já contarmos com alguns instrumentos como eleição de diretores, conselho escolar e CPM, não têm a cultura democrática. Fiquei encantada com uma escola retratada no vídeo do programa Salto para o Futuro onde os alunos discutiam formas de lazer para o recreio, quem sabe os alunos não nos dariam lições de democracia ouvindo seus pares e tomando decisões frente ao bem-estar de todos.
Nós até temos na escola o Projeto Envolva-se com a Dietschi (minha escola chama-se EEEF Professor Dietschi) que conta com a participação ainda pequena de pais, alunos e professores preocupados com a questão ambiental e melhorias na escola. Com o projeto recebemos ajuda da comunidade que traz para a escola o lixo seco, o óleo de cozinha já utilizado e notas fiscais para participar do programa estadual a nota e minha. Todo o lixo é selecionado e vendido para reciclagem, o óleo é utilizado na fabricação de sabão que também é vendido e as notas são digitadas e enviadas via internet para o governo estadual que repassa trimestralmente o valor correspondente a nossa participação. Todas estas ações são realizadas por pessoas que querem participar. Quem participa é porque quer se envolver e todas as decisões são tomadas em conjunto em reuniões semanais com toda a equipe. Todos os recursos arrecadados são geridos pelos alunos do projeto em consulta a todos os alunos da escola. Eles compram, vendem, decidem o que fazer com o dinheiro e também novas ações de participação do projeto, como as duas novas que são a construção e venda de um brinquedo inventado por eles e confecção e venda de sacolas permanentes para a diminuição do uso de sacolas plásticas principalmente nas compras do supermercado.
Portanto não estamos mais no ponto zero mas nossa caminhada ainda nos reserva muitos, inexplorados e belos horizontes.
Psicologia da Vida Adulta

Projeto Temático

Este trabalho foi feito em grupo por Mara Núbia Bilhalva Braum, Stela Maris da Rosa Dias e Maria do Carmo Dewes

Como se preparar com praticidade para a hora da aposentadoria
sem medo da improdutividade


“É importante saber identificar mestres
E enxergar em funcionários mais experientes
Uma fonte de saber”
(trecho retirado do jornal Bom Dia Brasil, 18.09.2008, Rede Globo)

O tema escolhido para este projeto temático foi em função de uma reportagem que a Maria do Carmo Dewes assistiu e comentou conosco nos fazendo curiosas diante do assunto. A reportagem foi exibida no jornal Bom Dia Brasil da Rede Globo no dia 18 de setembro de 2008 disponível no site da globo.com.
A aposentadoria é uma questão difícil de administrar. Poucas pessoas sabem lidar com as situações criadas por este “novo tempo”. A maioria tende a supervalorizar tanto os efeitos negativos quanto os positivos. De um lado as horas livres para fazer tudo o que ficou para trás por falta de tempo. De outro vêem o afastamento do trabalho como a fronteira com a velhice com toda a carga de preconceito a ela associada. Muitas vezes a depressão, a inatividade e a falta de entusiasmo deixam a família sem saber o que fazer e acaba perturbando todas as pessoas que convivem com o aposentado.
Porém, um novo aposentado começa a chegar ao mercado de trabalho e a influir positivamente na vida familiar e social. Pessoas que têm consciência do tédio e desmotivação que o tempo livre pode trazer, enquanto a aposentadoria pode marcar o início de um novo período produtivo do ponto de vista pessoal e profissional. É aquele que sabe o que quer e planeja sua vida com a ajuda de políticas desenhadas por especialistas em recursos humanos que ajudam nessa transição.
A palavra “aposentadoria” causa o impacto da pós-carreira e é cercada de muitos mitos, desinformação e preconceito. A maioria dos aposentados tem dificuldade de arranjar um novo emprego para manter o padrão de vida e até de se sustentar. No Brasil, este problema é agravado pela despreocupação com uma poupança e um sistema previdenciário que não tem condições de financiar, pois o número de aposentados aumenta juntamente com a expectativa de vida das pessoas.
A conscientização da sociedade para essa realidade e o aprimoramento das políticas de apoio ao aposentando avançam em busca de uma solução mais ampla e efetiva. Atualmente um crescente número de organizações vem desenvolvendo Programas de Preparo para a Aposentadoria (PPA) entendendo que além de cumprir com as responsabilidades sociais, tais programas são excelentes ferramentas gerenciais, pois aqueles funcionários que estão se aposentando sentem-se valorizados e mantém bom desempenho e os que estão ingressando na empresa percebem o cuidado e o respeito que estas organizações têm pelo ser humano o que vem fortalecer as relações de trabalho. Os programas de apoio aos aposentados ou trabalhadores próximos de se aposentar têm como objetivo estimular o trabalhador a pensar no seu desenvolvimento pessoal de forma continuada e sistemática, deixando de lado a busca por afazeres que preencham a vida de atividades para redirecionar seu foco para a geração de renda onde a sugestão é uma segunda carreira que lhe dê sucesso e satisfação buscando saber o que o aposentando faz bem (habilidade) e o que gosta de fazer (interesse), além de investigar também o que o aposentado não quer mais fazer, por exemplo, ficar no escritório, viajar, dar aulas, vender, enfim... Para o empregado o programa é uma oportunidade de discutir com pessoas que estão vivenciando um momento semelhante, compartilhar medos, ansiedades, sonhos, aspirações...
É preciso encontrar uma fonte de renda, pois os mais jovens, que antes sustentavam seus pais, agora precisam da usa ajuda. Segundo o IBGE, mais de sessenta por cento dos aposentados, aproximadamente catorze milhões de brasileiros, são arrimos de família. Para o psicólogo Aguinaldo Néri, professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas os conceitos de família e trabalho são os dois grandes pilares de um envelhecimento bem-sucedido. Para Néri a noção de trabalho vai além de emprego e atividade remunerada ao incluir no termo as ações de interesse social que os mais velhos podem desempenhar com propriedade.
Os programas de apoio aos aposentados trazem informações sobre o mercado de trabalho, contexto e legislação da área ou ocupação que interessa ao aposentando, dispõe de salas equipadas para fazer buscas e contatos, além de poder tirar dúvidas e discutir com assistentes e oferecem ajuda para entender o processo do envelhecimento, abordado por meio da conscientização dos ganhos e das perdas dos idosos enfatizando que as pessoas devam fazer um novo projeto de vida quando ainda estão exercendo suas atividades para que a aposentadoria não signifique um fim, mas apenas uma nova etapa onde a vida pessoal e profissional continua.
A forma, o conteúdo e a duração dos programas variam. Podem ser individuais ou coletivos, durar um dia (uma palestra de quatro horas) ou meses. Elaine Saad, vice-presidente da Associação Brasileira de recursos humanos considera adequado começá-lo seis meses antes do desligamento, mas alguns consultores recomendam que o melhor seja um ano ou até dois anos antes da aposentadoria, pois o trabalhador precisa de tempo para se conhecer melhor, se informar sobre alternativas de carreira fora da sua empresa, levantar dados, planejar e tomar decisões. E isso fica mais fácil quando ainda tem um vínculo com a empresa.
A capacidade de atendimento destes programas, contudo é ainda muito limitada ficando restrita às grandes empresas e algumas estatais como: UNICAMP, CAGECE (Companhia de Água e Esgoto do Ceará), Aracruz Celulose, Banco do Brasil através do PREVI entre outras, mas que ainda não representam a maioria das empresas em exercício.
Para ilustrar nosso trabalho entrevistamos algumas pessoas já aposentadas e em processo de aposentadoria. A seguir passamos a descrever alguns casos sendo que dois deles pediram que não fossem citados nomes:
Nosso primeiro exemplo é a professora Córdula Olívia Lenhardt com formação em Artes Plásticas que se aposentou aos 48 anos, após 25 anos de magistério estadual. Ela conta que nos últimos anos de carreira foi diretora de escola o que lhe rendeu um GD (gratificação pela direção) para a aposentadoria. Ela, muito dinâmica e sempre interessada em promover a cultura, logo após aposentar-se foi convidada para trabalhar na Secretaria de Educação e Cultura de Campo Bom onde trabalhou sendo remunerada durante três anos. Depois ainda teve energia para assumir um contrato e dar aulas de Técnicas Comerciais numa escola estadual sendo que concomitantemente com o emprego na prefeitura e depois dando aulas, a professora Córdula participava ativamente do Grupo de Folclore Alemão Eintracht onde coordenava a organização da “Ein Deutsches Volksfest”, grande festa alemã com duração de uma semana incluindo exposições, desfiles, café colonial, apresentações de danças, culminando com Uma Noite Alemã, o jantar baile típico alemão que em certa edição contou com a presença do cônsul da Alemanha no Brasil. Quando a coordenação da festa foi transferida para outros participantes do grupo, ela passou então a dedicar-se as aulas de dança sênior onde continua até hoje com 72 anos de idade sendo que precisa de ajuda das alunas pelas limitações que o mal de Parkinson lhe impõe. Para ela, hoje viúva, o dinheiro continuou dando o mesmo trabalho que antes, pois durante toda a vida ela e seu marido acostumaram-se a economizar conquistando uma casa confortável na cidade, outra na praia e proporcionando uma grande ajuda aos três filhos na aquisição da casa própria de cada um deles.
Já J.C.A.C.., ainda diretora comercial de uma empresa encontra-se preocupada com a hora da aposentadoria. Ela conta que vive sob pressão e trabalha muito e muitas horas, inclusive quando está em casa, ou viajando com a família não perde o celular de vista jamais, pois a qualquer momento poderá surgir um imprevisto ao qual ela terá que atender. Disse estar acostumada com esta vida e que não se imagina de outra forma. Ela já está poupando para a hora de se aposentar, pois sabe que o salário irá diminuir muito. Tem planos de abrir seu próprio negócio porque não saberia mais viver sem a pressão do dia-a-dia. Percebemos com clareza o consumismo em que ela vive com seu alto salário que lhe proporciona prazeres como uma bela casa na cidade, outra na praia, viagens, roupas, restaurantes muito caros... Talvez motivos de seu medo da incerteza do que virá e de sua angústia com o tempo passando sem que ela tenha controle e possa aceitar esta nova fase com satisfação e paz de espírito.
Outra entrevistada foi L.S., funcionária do Banco do Brasil, que nos informou sobre a preocupação que a instituição financeira tem com relação à situação financeira dos funcionários ao se aposentarem. Ela informa que anos atrás o funcionário era obrigado a pagar a previdência privada, mas que atualmente o funcionário escolhe se quer pagar ou não os 7% descontado do seu salário e o banco também contribui com o mesmo percentual para o PREVI. O funcionário deve contribuir no mínimo 15 anos. Quando se aposenta pelo INSS, recebe a aposentadoria complementar do PREVI. Ela falou também sobre outros planos que o Banco do Brasil oferece para correntistas do banco, por exemplo, o Brasil Prev onde a pessoa precisa apenas ter CPF e pagar uma contribuição única ou uma parcela mensal e poderá optar por uma idade após 50 anos para resgatar com rendimento melhor que a poupança ou receber um valor mensal como complemento da aposentadoria. Tem também um benefício que podemos depositar para os filhos bebê, por exemplo, é o Brasil Prev Júnior onde os pais pagam no mínimo R$ 25,00 mensais até que o filho tenha 21 anos, quando poderá optar por resgatar ou migrar para o Brasil Prev e caso a pessoa que fez o Brasil Prev Júnior para o seu filho venha a falecer, o BB continuará fazendo os depósitos até que a pessoa complete 21 anos. Nessa entrevistada também percebemos bastante preocupação com a situação financeira do futuro.
Ao longo desta caminhada para a construção deste trabalho encontramos pessoas como a professora Córdula que já era uma pessoa envolvida com trabalho social durante sua vida e que apenas pode se dedicar mais depois da aposentadoria sem deixar de trabalhar de uma hora para a outra e mesmo sem passar por nenhum tipo de programa de preparação para a aposentadoria não teve nenhuma dificuldade com esta fase. Acreditamos que pelo próprio desenvolvimento da sua personalidade que segundo Erikson (ELKIND, David. As Oito Idades do Homem segundo Erikson. Diálogo, 11(1), 3-12, 1978), quando bem desenvolvidas todas as oito etapas do desenvolvimento humano a pessoa chega à velhice aceitando as perdas e os ganhos que a idade lhe impõe. Enquanto pessoas que não têm envolvimento com comunidades, vivendo somente em torno de si, seu emprego, seu salário, suas compras e suas famílias acabam sentindo um grande vazio quando os filhos saem de casa, a idade avança, a saúde pede maiores cuidados e ainda por cima vem a aposentadoria com o rótulo “eu não sirvo mais para nada”.


Bibliografia:

http://portalteses.icict.fiocruz.br/transf.php?script=thes_chap&id=00000706&lng=pt&nrm=iso

http://www.unicamp.br/dgrh/informativo/005/projetovisa.html

http://www.guiarh.com.br/pp46.html

http://www.via6.com/topico.php?tid=96397

http://www.cagece.com.br/cagece/gestao_pessoas/ppa/

www.globo.com

Revista Vida e Saúde
Seminário Integrador

Através do Projeto de Aprendizagem sobre as histórias que as fotografias nos contam tive a oportunidade de conhecer uma senhora que é um encanto. Ela tem a fotografia da primeira casa construída aqui em Rondinha, balneário onde moro e que pertence ao município de Arroio do Sal. Dona Cecília tem 81 anos, é mestre em educação e trabalhou com PAULO FREIRE. Ela é uma caixinha de surpresas, numa de nossas conversas sobre fotografias antigas ela me contou das viagens que fez, dos lugares onde morou e trabalhou quando de repente ela me fala que trabalhou em Natal-RN com Paulo Freire. Eu não conseguia mais sair da casa dela ouvindo a história da sua vida.

A Fabiana Leffa achou interessante ter tão pertinho de nós esta pessoa que participou da vida do ilustre como Paulo Freire, apontando a possibilidade dela ir ao polo conversar um pouquinho conosco.

A professora Nádie ressaltou os desdobramentos interessantes e imprevisíveis que a pesquisa proporciona e gostou da sugestão da Fabiana mas sugeriu que a entrevista fosse filmada para que pudéssemos compartilhar esta descoberta com os outros polos e dar permanência ao registro.

A professora Eliana concorda com a professora Nádie quanto ao registro através de filme para a captura das histórias que a dona cecília nos contará construindo através das fotografias e filmagens um rico acervo documental.

Já falei com a Dona cecília que prontamente aceitou ir ao polo conversar com os educadores e autorizou a filmagem. Não é maravilhoso?
Seminário Integrador

Com nosso projeto de aprendizagem pretendemos procurar fotos antigas que contem alguma curiosidade. Dinah Fischer Procksch, natural de Porto Alegre, veranista de Rondinha, balneário de Arroio do Sal desde 1958. ela conta que toda a família ajudava a escolher o melhor galho seco, enchiam uma lata de areia, fincavam ali o galho e as crianças se encarregavam de coletar conchinhas que eram cuidadosamente higienizadas pelas próprias crianças com a orientação da mãe e depois pintadas por todos com os restos de esmaltes de unhas e verniz, depois a árvore era montada e muito linda.

Em 1994 a dona Dinah passou a morar definitivamente em Rondinha seus dois filhos casaram, ela tem um netinho e ela, mesmo sozinha, continua enfeitando a árvore de Natal mas agora não mais com conchinhas porque diferente daquele tempo onde não se encontrava enfeite de Natal por aqui, hoje temos o mercado Bolão que nos oferece algumas opções e foi onde ela comprou os enfeites para montar a árvore do Natal de 2008, com exceção do anjinho no topo da árvore que ela exibe dizendo que a confecção foi dela mesma.

Seminário Integrador


Projeto de Aprendizagem


Histórias de Arroio do Sal, Terra de Areia
e Três Forquilhas que as fotografias nos contam
Nosso projeto originou-se da pergunta: Como descobriram que era possível fotografar? lançada na aula presencial. Nosso grupo organizou-se e formulamos algumas perguntas a partir daí.
Resolvemos então pesquisar a história da fotografia, o surgimento do registro fotográfico e a importância da fotografia na história individual e coletiva da nossa gente. Depois nos organizamos para desenvolvermos nosso projeto a partir de algumas histórias inusitadas que conhecíamos a respeito dos registros fotográficos mais antigos que sabíamos existir em nossos municípios. Como por exemplo, a esporádica visita de fotógrafos quando todos os acontecimentos ocorridos na cidade na ausência dele eram remontados levando o retrato a ser uma simulação dos fatos ocorridos anteriormente.
Então nomeamos o nosso PA “Histórias de Arroio do Sal, Terra de Areia e Três Forquilhas que as fotografias não contam”. Partimos em busca das informações necessárias para esse trabalho.
Começamos pesquisando alguns sites onde descobrimos que a palavra retrato vem do antigo Egito e que o nome fotografia vem do grego e significa escrever ou desenhar com luz. A primeira imagem permanente obtida com uma câmera fotográfica data de 1826 e foi feita pelo físico francês Joseph Nicéphore Niépce. Em 1888 começou a ser comercializada a câmera Kodak, máquina simples que podia ser usada por amadores. A fotografia ganhou status de arte a partir de 1902 e no final do século XIX e início do século XX a fotografia também começou a ser utilizada com o objetivo de persuadir e convencer que continua sendo utilizado até hoje cada vez com maior intensidade, pois estamos cada vez mais condicionados a visualizar. Os textos antes totalmente verbais estão cedendo lugar cada vez mais amplo aos textos visuais onde somos convidados a interpretar cenas que podem até nos condicionar em nossas atitudes, pois a mídia cada vez mais nos impõe o consumismo desenfreado.
Após a pesquisa histórica fomos à procura das fotografias existentes. Conseguimos muitos registros fotográficos importantes e interessantes, antigos, porém nada que comprovasse as histórias de simulação dos fatos que ouvíamos contar.
Ao nos encontrarmos novamente, de posse dessas fotografias já coletadas, concluímos que as “histórias” que nos levaram a pensar esse projeto não foram encontradas e, portanto era ora de reformulá-lo. Resolvemos então modificar o enfoque do PA e assim, tomamos novo rumo: “Histórias de Arroio do Sal, Terra de Areia e Três Forquilhas que as fotografias nos contam”. Traçamos novos objetivos: analisar e comparar a evolução histórica e física do local fotografado. O que temos hoje? O que está diferente? Como era a arquitetura? Qual a moda? Os costumes? Que transformações foram possibilitadas pelo progresso? Uma conexão entre o antigo e o atual sob todos os aspectos fotografados inclusive nas imagens que não eram o foco principal como propagandas, por exemplo, que aparecem por acaso por detrás das imagens de foco.
Os fotógrafos são profissionais que viajam mundo a fora clicando pessoas, paisagens e objetos descobrindo uma nova forma de olhar que choque, emocione ou questione mostrando a sua forma de arte. Outros buscam uma imagem estarrecedora, sensacionalista, pela qual possam receber boa recompensa financeira. Hoje em dia com a ascensão das máquinas leves, pequenas, incluídas nos celulares ficou ainda mais fácil conseguir a imagem do dia a dia feita por amadores. É quase impossível a nossa presença em algum lugar onde alguém não tenha em mãos uma câmera fotográfica. A fotografia, portanto passa a ser um importante aliado no estudo das Ciências Sociais que é o foco deste trabalho onde pretendemos fazer uma conexão entre o passado e o presente do nosso lugar resgatando a história passada até os dias atuais utilizando imagens captadas através das câmeras de fotógrafos profissionais ou amadores
Continuamos coletando fotografias. Fomos ao fotógrafo oficial da cidade, visitamos moradores mais antigos, escutamos as histórias, fomos numa velha amiga e também no comércio local e aos poucos estamos remontando a memória do nosso povo. As fotografias mais antigas nos mostram um Arroio do Sal menos estruturado, mais natureza, dunas e mais glamour, como no carnaval de décadas passadas... Podemos até dizer, mais poético. As fotos eram de grandes famílias reunidas na sombra das árvores, o banho de mangueira para tirar areia do corpo, a utilização do cavalo e do carro de boi como principal meio de transporte... Tudo muito simples, mas havia mais emoção, as pessoas pareciam mais felizes do que hoje quando percebemos casas com poucos moradores, automóveis confortáveis e ultramodernos mostrando o nível econômico mais elevado das famílias que têm se encontrado bem menos alterando o convívio antes bem mais constante.
Já começamos a fotografar os mesmos espaços das fotos antigas para procedermos às comparações. Agora, ainda nos falta coletar as entrevistas com as pessoas das fotos antigas, que ainda existirem e continuar ouvindo outras histórias dos proprietários dos referidos retratos e no próximo semestre darmos continuidade ao PA.