domingo, 24 de janeiro de 2010

CULTURA POPULAR



Quando surgiu o conhecimento científico ele propiciou um grande e rápido crescimento intelectual, pois permitiu a compilação e a compreensão de muitos conhecimentos que a partir de então podiam ser utilizados por muitos. No entanto, de acordo com Santos (1987), criou-se um paradigma dominante, pois apenas o conhecimento científico tinha valor educativo e o saber popular ou senso comum, aquele que aprendemos com nossos avôs, tios, pais foi deixado de lado, como se já não tivesse importância alguma para nossas vidas. Mas a quem era útil este tipo de saber? Somente a uma elite dominante, que detinha o conhecimento e ensinava às classes sociais inferiores qual era seu papel no mundo e para isto que tipo de conhecimento tinha que ter.

O saber popular faz parte da história do indivíduo e não pode ser deixado de lado, precisa sim ser trabalhado, aprofundado, pois é a partir dele que devemos partir. Todo ser humano traz uma história, ninguém é vazio de conhecimento. Um pescador mesmo sem ter ido a escola sabe como funcionam as marés, conhece os ventos, a biodiversidade e as relações ecológicas entre os animais e o ambiente. E devido a isso, Santos (1987), defende que o paradigma dominante está em crise, pois já não serve aos princípios da educação. O autor acredita que está surgindo um paradigma emergente que questiona sobre o papel que todo conhecimento científico acumulado tem na nossa felicidade e defende a construção do conhecimento sobre o saber popular.


Nós, como educadores, precisamos lutar para uma democratização do ensino. E como fazer isso? Não basta apenas dizer que vivemos em uma democracia, precisamos começar não utilizando a avaliação de forma unilateral onde apenas um dos sujeitos envolvidos é avaliado, no caso, o aluno mas que sirva de reflexão a todos os sujeitos envolvidos assim agindo para que a função da educação seja cumprida.



Só se aprende fazer, fazendo!

"A própria construção do conceito de sujeito é cultural e toda a prática social tem seu caráter discursivo" (Luke,1996)

Dalla Zen e Trindade trazem a citação acima numa proposta de entendimento de que a fala, a leitura e a escrita nascem junto com o sujeito que inicia balbuciando sons para testar sua voz, depois arriscando repetir o que ouve a sua volta e desde que nasce o bebê é investido de um mundo de leitura involuntário, é claro, mas que passam a fazer parte da vida da criança que logo passa a conhecer por exemplo a marca do achocolatado para misturar no leite, a marca do brinquedo que gostaria de ganhar no Natal, enfim... há um mundo de leitura a sua volta.Quando chega a escola, não podemos querer que esta criança escreva textos ou se interesse por escritos que falam de praia se ele nunca foi ao litoral porque mora numa comunidade alemã do interior do Rio Grande do Sul, isto se justifica pelo simples fato de que cada uma destas comunidades apresenta sua própria cultura, linguagem popular, hábitos e estrutura social. No entanto, a função da educação é a mesma em todos os casos, pois partindo dos saberes que estas pessoas já adquiriram durante a sua existência, busca um crescimento do conhecimento de forma que o educando se torne um ser capaz de atuar na sua sociedade e no seu destino.

No exemplo acima busquei comunidades bastante distantes uma da outra mas eu própria vivi esta experiência quando me transferi a 5 anos atrás de uma comunidade no Centro de Novo Hamburgo para o Balneário Rondinha em Arroio do Sal, foi uma rica experiência pois cresci muito conhecendo a história daquele lugar que eu conhecia apenas em época de veraneio mas que quando a comunidade percebeu que eu ficaria por lá tive que conquistar meu espaço e comecei exatamente me interessando pelas histórias de lá e incentivando a escrita desta história que publiquei em

http://escolaprofessordietschi.pbwork.com

Conhecendo esta história, convidei os alunos e suas famílias para escreverem e durante as entrevistas meus alunos descobriram que meu marido conhecia um pouco da história uma vez que sua família foi uma das primeiras a ir veranear em Rondinha. Aos poucos deixamos de ser estrangeiros para nos tornar membros daquela comunidade que aprendemos a conhecer e respeitar e pela qual me sinto querida e acolhida.


Portanto, acredito que aprende-se a falar, falando; a ler, lendo e a escrever, escrevendo. Mas para trabalhar com alunos a educação exige um processo de pesquisa do professor acerca da realidade em que ele atua.

sábado, 23 de janeiro de 2010


Santomé(1998) defende a promoção da interdisciplinaridade como um dos princípios dos currículos integrados alertando que a mesma é uma filosofia sociopolítica que requer convicção e o que é mais importante, colaboração. É uma estratégia didática que facilita a busca do sentido e do valor do conhecimento. O autor tem posições muito afins com as idéias de Paulo Freire cuja posição define a educação como um ato político que busca socializar as novas gerações que manifestam as evidências do que já sabem e são desafiadas a refletirem sobre seus pontos de vista, a fazerem conjecturas facilitando os processos de ensino-aprendizagem.

Sendo assim penso que nós professores precisamos buscar os conteúdos culturais e agrupá-los de modo a dar-lhes significação no dia-a-dia da escola. Num passeio de estudos por exemplo, podemos fazer com que todos os momentos do planejamento até a volta da viagem seja definida e organizada pelo grupo de alunos, escrevendo, anotando, calculando, mapeando, descobrindo a história do lugar, enfim...

É importante que tenhamos isto muito claro em nossas mentes e principalmente que acreditemos, que tenhamos convicção porque de nada adiantam as teorias se não as colocarmos em prática.









- LIBRAS -
Língua Brasileira de Sinais


É uma língua que não é universal pois sofre influência cultural de cada povo ou lugar e existem inclusive dialetos de LIBRAS. Possui 61 sinais; os acentos vêm sempre depois das vogais que se quer acentuar. Existem os sinais icônicos que reproduzem a imagem do referente, os sinais arbitrários que não mantém nenhuma semelhança, os sinais semelhantes onde o importante é o contexto para designar por exemplo a laranja(fruta) e a cor laranja e os sinais compostos como casa + cruz = igreja ou casa + estudar = escola.

Possui identidade surda quem nasce surdo ou quem fica e constrói um jeito de ser surdo. As pessoas são batizadas por pessoas surdas de acordo com a característica mais marcante que possuem.

Para conseguir se comunicar é necessário ficar sempre de frente. A comunidade surda é construída pelo contato do surdo com outros surdos e com pessoas que mantém contato com pessoas surdas, todos que participam da cultura surda, seus costumes, sua história.


26 de setembro é o Dia do Surdo em homenagem a inauguração da primeira escola para surdos no Brasil.






O discurso sofre controle externo e interno
dentro de sistemas de apropriação,

doutrinas e sociedades de discurso,
sendo que as proibições podem ser sobre o assunto a ser explorado,
a circunstância de fala, os sujeitos envolvidos,
os comentários produzidos e a
coerência da nossa identidade
como autores,
conforme regras aceitas como "verdadeiras" para produzi-los

(Foucault, 1998).

Sabemos que a fala precede a escrita e a leitura pois os bebês escutam e com o passar do tempo vão se arriscando a repetir o que ouvem iniciando assim a utilização do som da sua voz. Aos poucos a fala vai se tornando compreensível para um maior número de pessoas.

As crianças desde cedo aprendem que conforme a situação ou a pessoa com quem estão se comunicando precisam se utilizar desta ou daquela linguagem. Quando querem fazer dengo para conseguir o que querem ou quando precisam mostrar-se seguras para que os pais permitam uma ida a casa dos amigos, usam uma linguagem diferente.

Com a escrita também ocorre desta forma. Se estamos escrevendo um texto que será entregue aos professores para avaliação, utilizamos uma escrita formal, diferente daquela que utilizamos quando conversamos num chat com nossos amigos.

Foucault(1998) explica esta mudança do uso da linguagem pois para vivermos em sociedade precisamos seguir algumas regras pré-estabelecidas que variam de acordo com o assunto e com a pessoa com quem estamos nos comunicando.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010


Confesso que antes da interdisciplina Educação de Jovens e Adultos no Brasil a função da EJA não estava clara para mim que chegava a confundi-la com o supletivo, mas conforme lemos a EJA é uma modalidade recente e sempre colocada em segundo plano pelo sistema, felizmente somos privilegiados pela inserção desta disciplina no PEAD.

É importante ter clareza de que conforme diz a Constituição é preciso “procurar visar a igualdade diante da diversidade destes alunos”. Alunos estes que foram excluídos e oprimidos e que precisam construir a compreensão dos limites e possibilidades que caracterizam esta sociedade opressora proporcionando-lhes situações de aprendizagem de acordo com as suas especificidades para poder desenvolver-se e agir exercendo seu direito de cidadania com autonomia e segurança proporcionando-lhes direito a atualização permanente.

Esta educação libertadora sempre foi defendida por Paulo Freire que através de uma amorosidade incomparável sempre valorizou o saber construído pelos educandos antes mesmo de chegarem a escola e é peculiar a aprendizagem que a vida proporcionou a estes jovens e adultos que devem ser absorvidos por uma educação que os apóie, valorize e os faça refletir sobre o mundo em que vivem proporcionando uma decisão entre o permanecer e o transformar.

Ao longo deste semestre mudei totalmente minhas concepções sobre a Educação de Jovens e adultos pois através do embasamento teórico oferecido e da visita a uma escola onde tive a oportunidade de conversar tanto com alunos quanto com professores desta modalidade de ensino me senti pela primeira vez muito entusiasmada a trabalhar com EJA.

Pelos resultados da pesquisa realizada por meu grupo ainda temos muito que andar para alcançar os ideais propostos por Freire mas consegui sentir a vibração do gosto pela escola apesar do cansaço após um dia estressante de trabalho e também da energia principalmente do diretor da escola citado pela grande maioria como uma pessoa muito bacana que entende seus problemas e que se mostra brincalhão e atencioso com todos.

É muito bom saber que esta escola está encontrando a sensibilidade nos educadores para compreender estes alunos que muitas vezes chegam a escola sem motivação para aprender com um histórico de baixos salários, insatisfação com a profissão e que possivelmente origina-se no fracasso escolar, certamente uma realidade de vida muito complicada.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Esta semana eu estava assistindo um desenho animado que vai ao ar todas as manhãs pela televisão e que prende a atenção das crianças. Me chamou a atenção a mistura de elementos de ficção como uma personagem que era capaz de atravessar um trem tamanha a sua força e poder com elementos da vida diária pois logo após atravessar o trem a personagem pede uma mãozinha ao amigo que aparentemente não tem nenhum poder especial. Me pus então a refletir como a mídia utiliza a lógica das crianças pois segundo Gurgel(2009) cenas como essas só acontecem em filmes, livros e desenhos animados - ou na fala de uma criança pequena que conta sobre sua vida. Quando conversamos com crianças elas nos contam histórias que misturam cenas de superheróis e ao mesmo tempo de total incapacidade.

Percebo que a mídia mais do que a escola já utiliza esta capacidade das crianças de aprender tudo ao mesmo tempo: Agora! Quem sabe aprofundando a narrativa e utilizando a lógica dos nossos pequenos tenhamos nossas crianças mais atentas em sala de aula como na frente da televisão.