quinta-feira, 11 de novembro de 2010


Historicamente a educação foi monopólio de poderosos. Na época em que os portugueses chegaram ao Brasil, a Igreja Católica mantinha poderio total. Com o desenvolvimento econômico e a modernização foi-se tentando organizar a educação formal. O Brasil conta com educadores mestres na arte de educar com Paulo Freire que prestou imensa contribuição, mas todos nós ainda temos muito caminho pela frente para contribuir para que num  futuro não tão distante possamos ter um sistema social, econômico e político menos perverso, mais justo e humano onde todos tenham oportunidades iguais.
Para isso precisamos nos questionar sempre, permanecer inquietos para que possamos lutar contra a dominação dos cargos e também contra as forças dos próprios professores que estão acomodados na profissão, sem ânimo para encontrar caminhos que nos levem a outras ilhas desconhecidas.
“A autoridade coerentemente democrática está convicta de que a disciplina verdadeira não existe na estagnação, no silêncio dos silenciados, mas no alvoroço dos inquietos, na dúvida que instiga, na esperança que desperta.”( Paulo Freire)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010


A educação é processo e como tal acontece lentamente, mas quando penso em como eu era e como sou como meus alunos eram e como estão autônomos com o uso das tecnologias e acerca das tomadas de decisões nos trabalhos em grupo me surpreendo.
No início do ano com a proposta de sentarem-se em grupos os alunos não sabiam como agir chegando a colocar cadernos e livros na sua frente para que os colegas não visualizassem suas atividades; hoje eles discutem, trocam idéias e sugestões e as vezes o assunto fica quente porque é difícil o grupo tomar uma decisão frente a opiniões diferentes, mas eles chegam sempre a um acordo. Com o notebook que eu levava para a sala de aula eles tinham medo de mexer e estragar. Não sabiam trocar de linha, fazer letra maiúscula, enfim... hoje eles têm e-mail, blog da turma onde são colaboradores... É uma interação constante!
“Nos grandes processos históricos, vinte anos equivalem a um dia, ainda que em seguida possam apresentar-se dias que concentram em si, vinte anos”.Marx e Engels
A educação é bem assim. Um processo demorado... executam-se passos de tartaruga para desenvolver a consciência, no entanto, quando visualizamos nossos alunos tornando-se capazes de realizar grandes tarefas são os grandes dias que concentram em si vinte anos.

Minha vontade de colocar em prática com meus alunos o uso da tecnologia com o qual me deparei ao entrar na UFRGS sempre foi evidente. Hoje encontrei um registro no meu primeiro blog que trata justamente sobre a ousadia de começar a vender lixo reciclável para adquirir computadores conectados a internet para a escola onde eu trabalhava e que não possuía nenhuma máquina deste tipo para utilização dos alunos.
Lembro-me bem do nosso começo quando fizemos uma campanha na escola para arrecadação do lixo limpo e que se ampliou para a comunidade. Chegavam camionetes carregadas de papelão, garrafas pet, livros antigos... e a gente se deliciava com aquilo imaginando no que se transformaria! Foi aí que nasceu o Projeto Envolva-se com a Dietschi, criando consciência ecológica... Depois fomos separando, vendendo, calculando, poupando... E um belo dia já tínhamos 6 computadores novos conectados a internet... Parecia um sonho! Como as turmas têm um número reduzido de alunos nesta escola, sentíamos no céu. A escola foi inundada pelos blogs, pesquisas na internet, comunicação por e-mail... Assim, creio que meus alunos além de colaborar com o ambiente em que vivem, ainda conseguiram apoio da comunidade. O crescimento foi individual e ssocial também. É a educação cumprindo seu papel.
Para Durkheim “Sociedade e indivíduo são idéias dependentes uma da outra. Desejando melhorar a sociedade, o indivíduo deseja melhorar a si próprio. Por sua vez, a ação exercida pela sociedade, especialmente através da educação, não tem por objetivo ou por efeito comprimir o indivíduo, amesquinhá-lo, desnaturá-lo, mas ao contrário engrandecê-lo e torná-lo criatura verdadeira humana.”

terça-feira, 9 de novembro de 2010


Encontrei uma postagem empolgante sobre o trabalho que eu estava realizando em Rondinha com meus 9 alunos de lá: teatro, arte, poesia, atividades físicas... porém nesta mesma postagem encontrei um registro onde eu relatava a minha dificuldade com a avaliação por causa da  implicação que pode ter na vida da pessoa.
Fiquei muito emocionada ao reler os comentários das colegas de Três Cachoeiras:
 Carem “estou aqui para elogiá-la pela grande virtude q tens como pessoa e profissional:perseverante, inovadora, e "confiante".Como você, acho também que a avaliação é uma questão muita ampla e acho que ela interfere muito na vida de nossos alunos.Mas o q fazer se somos cobrados incessantemente por escola,pais e até os próprios alunos? “
Loiva “parabéns pela apresentação, senti nela o encanto que tens no teu fazer pedagógico, gostaria de tê-la como professora.Privilégio dessas 9 crianças que convivem contigo diariamente.Quanto a avaliação? Aposto que,tu a fazes muito bem.”
Micheline “Eu também nao gosto de avaliacao!!! Me sinto precionada!!! E as vezes com medo do que possa refletir nos alunos...”
Da tutora Zezé “descobri seu segredo, destas postagens cheias de cores, transmitindo muita alegria, vida. Você é assim, de bem com a profissão, comprometida com o que faz, mas alerta com os percalços que a profissão tem , "Só não gosto de uma coisa na minha profissão: Avaliação. Tenho medo de como isso reflete na vida de cada aluno." Mara creio que no momento que todos vocês forem se apropriando das literaturas propostas e efetuar uma analise da sua prática em sala de aula a luz dos teóricos da educação, que vocês já começaram a ler, vai ajudar a vencer o medo e com certeza soluções serão encontradas.”
e da professora Mara Níbia Silva “Teu encantamento pelo que faz salta aos olhos e com certeza também na avaliação de teus alunos.”
Piaget(1989) destaca a necessidade das crianças de pular, saltar, correr, escorregar, rolar, dramatizar, dançar,contar...  Então criança precisa de envolvimento e mobilização e não de silêncio e imobilidade. O que ressalta a importância de trabalharmos com projetos onde nosso alunos possam utilizar inteligências múltiplas, interagindo através das expressões do corpo, de oralidade e trocando, partilhando idéias seja nos grupos de sala de aula ou através das ferramentas digitais que auxiliam na construção de conhecimentos a partir da escrita de tantos outros juntando a idéia de cada um. Assim, talvez estejamos finalmente no caminho que Comênio em 1657 buscava “ o método segundo o qual os professores ensinem menos e os estudantes aprendam mais”.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Interação


Outra aprendizagem importante do PEAD: a troca, a partilha das idéias, a visita ao trabalho dos colegas. Nada é escondido, fechado, tudo é aberto e aberto ao mundo através da virtualidade.

O olhar do outro, misturado com o nosso pode ser a chave que abre a porta para conhecimentos infindos. Hoje parece-me óbvio e muito natural tudo isso. Incrível como esquecemos rápido. O registro no meu primeiro blog foi feito a 4 anos atrás e eu nem me lembrava mais de como era antes. Mas revendo a minha escrita relembro de como eu fiquei encantada com isso: não era preciso ter medo de olhar como o colega tinha feito a atividade. Estava lá disponível a todos! Era incrível... Este diferencial eu nunca havia experimentado até então em nenhum curso até então iniciado.

Percebi que os meus alunos com os quais eu gostava de trabalhar em grupos e que este trabalho muitas vezes mal visto pelas direções das escola que não encontravam cada um no seu lugar quieto, virado para a frente quando entravam para dar um aviso, estava certo. Conforme Piaget é através da interação de idéias, de culturas, de saberes prévios, da pesquisa, da cooperação em busca de um objetivo comum é que a aprendizagem se constrói. A teoria começava a legitimar minha prática!

Para encerrar esta postagem destaco a minha primeira vivência desta interação com a colega Tamires, de Três Cachoeiras que me ajudou bastante no início do meu blog e para quem dediquei uma postagem de agradecimento para a qual ela comentou:
“Querida colega Mara, voce não precisa me agradecer, somos colegas e devemos nos ajudar! Confesso que fiquei muito feliz em saber que vc ficou satisfeita com a minha ajuda! E eu estarei sempre aqui para te ajudar!
E apesar do pouko tempo q nos conhecemos e do minímo contato de ambas, eu tbm gostei muito de vc! com certeza, além de colegas seremos grandes amigas! E lembre-se conte sempre comigo, pro que der e vier!
abraços da Tami”
a interação através da ação (assimilação
e acomodação) permite que tanto um
quanto o outro passem a ser conhecidos, não
simplesmente por suas próprias características,
mas sim pelas características da relação
estabelecida entre elas.”(Isabelle de Paiva Sanchis em Interação e construção: o sujeito e o conhecimento no construtivismode Piaget

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

AUTORIA, UM REGISTRO IMPORTANTE


Em setembro de 2006 trabalhamos no PEAD  com o conto “A Ilha Desconhecida” de José Saramago quando tive oportunidade de perceber a importância de olhar para meu interior para poder enxergar o que sou, como sou, para então oportunizar o novo e preservar o que é preciso.

Na ocasião terminei a postagem com a mensagem a seguir que na época recebi da direção da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Dietschi:
"Há pessoas....
Que fazem acontecer!
Que observam acontecer!

Que se espantam com o que acontece! *
Lembro-me que a professora Nádie, num chat me perguntou se estas palavras eram minhas. Eu respondi que não e nunca mais me esqueci disto, pois fiquei envergonhada, mesmo que sem intenção eu estava copiando o que outra pessoa disse sem mencionar a autoria.

Agora relendo a postagem me lembrei do fato e resolvi colocar no Google para descobrir afinal quem escreveu estas palavras que me fizeram refletir sobre que profissional, que mãe, que aluna, enfim não importa o papel mas sim a maneira como quero exercer este papel.

Descobri a referência a seguir “existem três tipos de organizações: as que fazem acontecer, as que apenas observam acontecer e as que surpreendentemente se espantam com o que aconteceu”. Barbosa e Brondani(2004, p.108)

Esta é mais uma aprendizagem que parece tão simples mas que realmente aprendi através do PEAD: é preciso saber a autoria e fazer o devido registro.

domingo, 3 de outubro de 2010

O início da caminhada no PEAD

Dando continuidade a leitura do meu primeiro blog encontrei referência ainda a minha família em minha apresentação pessoal onde registrei que "A FAMÍLIA É O MAIOR TESOURO QUE EU TENHO" confirmando assim a minha convicção de que eles são a razão do meu viver.


Depois encontrei um registro da primeira semana de aula onde pude rever toda a dificuldade dos primeiros contatos com a tecnologia e a acolhida pelos queridos professoores Náde Christina Machado, Maximira André, Marie Jane Soares Carvalho, Karine Dias Coutinho e Liane Tarouco.


Relendo meu registro do Perfil Profissional feito em 2006 já encontrei vibração pelas conquistas minhas e das pessoas que estão ao meu redor, incluindo toda a comunidade. Da busca por novas idéias, saberes, teorização, pela superação e o crédito dado a UFRGS como um novo caminho que acabava de se colocar a minha frente como uma escolha de grande valia para a conquista de tudo aquilo que eu procurava para aperfeiçoar a minha prática profissional. Hoje percebo que foi muito além do profissional, valeu e continua valendo para a minha vida pessoal também.


A postagem seguinte fala do meu comprometimento com o curso, da eleição de prioridades, das pessoas que também fizeram vestibular mas que não conseguiram passar e da oportunidade que eu estou tendo enquanto tantos outros não a tiveram. Termino com esta reflexão de que eu preciso me dedicar mais. Esta leitura me relembrou sobre prioridades não que outras pessoas estejam me falando mas por minhas próprias palavras quando a Disciplina de Seminário Integrador nos colocava o texto a seguir:
VIVER.. como talvez morrer, é recriar-se:
A vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida,
mas elaborada.
Eventualmente, reprogramada.
Conscientemente executada.
Muitas vezes, ousada.
Lya Luft