No eixo 7 houveram mudanças radicais na minha vida pessoal, profissional e estudantil porque duas pessoas extremamente importantes para mim, meu pai e meu marido, passaram a fazer parte de uma dimensão diferente da minha, a partir de junho de 2009. E, apesar de sentir constantemente suas presenças, foi e continua sendo um tempo muito difícil. Eu percorri o eixo 7 com muitas dificuldades porque não conseguia raciocinar. Muitas lembranças e atividades diferentes invadiam meus pensamentos fazendo com que minha produção acadêmica não progredisse. Mesmo assim, consegui graças a ajuda dos professores, tutores e colegas construir aprendizagens importantes. A Interdisciplina de EJA, que nos trouxe as contribuições de Paulo Freire alertando para uma educação de Jovens e Adultos onde se leve em consideração as vivências dos educandos; a Interdisciplina de Libras, esta língua que no início me fez sentir estrangeira dentro do meu país e com a qual pude me familiarizar e refletir acerca dos alunos que necessitam dela para se comunicar e que nós professores precisamos buscar aperfeiçoamento para que a inclusão ocorra mas que haja aprendizagem, porque sem comunicação não há aprendizagem. Foucault explica que a mudança do tipo de linguagem que utilizamos é uma exigência da própria sociedade que impõe regras de convivência pré-estabelecidas que variam conforme o assunto e a pessoa com a qual estamos nos comunicando. Didática, Planejamento e Avaliação me fez refletir sobre a importância da interdisciplinaridade, da colaboração e da convicção que precisamos ter ao assumir esta ou aquela linha filosófica, porque de nada adiantam as teorias se não as colocarmos em prática Santomé que tem posições muito afins com Paulo Freire defende a promoção dos currículos integrados e que a educação é um ato político pois através de uma filosofia que requer convicção e colaboração, busca socializar as novas gerações que manifestam as evidências do que já sabem, são desafiadas a refletirem sobre seus pontos de vista e fazerem conjecturas facilitando assim os processos de ensino-aprendizagem.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
O eixo 6 nos trouxe reflexão acerca da inclusão. Eu penso que a inclusão ainda está muito no papel porque simplesmente os alunos estão freqüentando classes ditas normais mas muitas vezes são largados a própria sorte.
Tive oportunidade de trabalhar com um aluno especial. Ele era realmente uma pessoa especial. Eu o conheci em 2004 e juntos formamos um belo par. Eu agora não trabalho mais na escola onde ele estuda mas mesmo distantes não deixamos de nos falar pelo telefone. Há um relato do meu trabalho com ele em http://peadportfolio156808.blogspot.com/2009/04/inclusao-de-fato-e-de-direito-e-o-que.html
Ele escreve ortograficamente correto e sabe a tabuada de cor. Mas sua maior habilidade é com a tecnologia. Quando eu descobri isso e percebi que os professores não esperavam que ele copiasse para depois apagarem o quadro já que ele é lento para copiar pois sua dificuldade é mais motora, pedi aos pais que comprassem um laptop para ele, ajudei-o a criar uma pasta para cada disciplina e convenci os outros professores, a coordenação e a direção da escola a permitirem que ele utilizasse esta ferramenta para que conseguisse mais agilidade na hora de registrar suas reflexões. Foi incrível a sua transformação a partir daí. Agora ele tem todos os registros. Quando podemos sempre nos encontramos para matar saudades e ver como anda sua organização com o notebook.
Warschauer (2006), a inclusão digital é uma faceta da inclusão social e consiste, alémde proporcionar o direito de acesso ao mundo digital para o desenvolvimento intelectual
A utilização diária dos números no cotidiano foi a temática principal da interdisciplina de Matemática no Eixo 4. Eu particularmente registrei os números da minha vida: nascimento, casamento, nascimento dos filhos, contas, cartões, senhas, documentos...
Durante o semestre fomos instigados a criar atividades significativas com nossos alunos e foi muito bom. Naquela época eu morava em Rondinha e trabalhava na Escola Professor Dietschi quando orientava o Projeto Envolva-se com a Dietschi, projeto este que por ser interdisciplinar fez parte de muitas atividades descritas para a interdisciplina de Matemática. Basicamente consistia em arrecadar a maior quantidade de lixo reciclável possível e fazer sabão com óleo de cozinha já utilizado para vender e com os recursos arrecadados adquirir computadores novos conectados a internet para que os alunos pudessem gerenciar seus blogs que aos poucos fomos criando. Mas pelo caminho era preciso separar os lixos, era a classificação. Fazíamos também sabão. Numa das vezes colocamos o sabão ainda mole em bacias retangulares e cortamos em linhas e colunas e transformamos em linguagem de multiplicação e divisão. Colocamos preços para colocar o sabão a venda e trabalhamos sistema monetário. Além de muitas outras atividades como pesagem dos lixos, organização para armazenamento até que o caminhão passasse para recolher... enfim.
Assim as relações foram sendo construídas e foi um trabalho muito gratificante que foi enriquecido pelas reflexões acerca do ensino de Matemática e fiquei muito orgulhosa ao receber o seguinte comentário da tutora Juliana:
Mara!!!Estou muito encantada em ver como estás estabelecendo excelentes relações entre as propostasdas atividades de Matemática e o teu projeto de trabalho na escola.Realmente, se evidencia a interdisciplinariedade nas tuas atividades.As atividades apresentadas estão de acordo com as propostas, e demonstram as inter-relalções que estás estabelecendoentre os conceitos estudados e a tua prática docente.Siga assim!!!Até mais!Juliana Machado
sábado, 13 de novembro de 2010
O Blog da turma com a qual eu trabalho está ficando cada vez mais diversificado. Os alunos e um colega professor que conheci na outra escola onde trabalho são colaboradores e portanto autores do blog o que traz idéias muito interessantes para serem compartilhadas por todos.
O professor João Victor, que além de proofessor é técnico em informática, vem geralmente uma vez por semana no dia em que vamos para o laboratório, mas também atua a distância postando no blog. Ele tem um blog da turma dele que já foi visitado e comentado pelos meus alunos e eu. O que meus alunos mais gostaram no blog deles é que tem jogos e então eles entraram, jogaram, comentaram e pediram para o professor João Victor colocar jogos no nosso também.
Os alunos em sua maioria não têm computador ou não têm internet em casa então fazem suas postagens na escola naquela uma vez por semana em que vamos ao laboratório mas tenho uma aluna que virou blogueira e ela costuma entrar no blog em sua casa para além de jogar, fazer postagens acerca de suas aprendizagens e também registrar suas perceopções acerca da aula, combinações do grupo, enfim. O blog está ficando muito interessante e vale a pena visitar pois nos remete a reflexões acerca da utilização dos jogos e do uso da tecnologia.
Piaget (1945-1971) afirma que o intercâmbio cultural realizado na brincadeira propicia à criança desenvolver noções de lógica, pois esta procura usar palavras que são comumente compreendidas, fazer afirmações verdadeiras e pensar logicamente.
“apresentar o computador à criança, desmistificá-lo, mostrar à criança o seu potencial e as suas limitações, ensinar a criança a utilizá-lo e a dominá-lo, são funções a que nenhuma escola pode-se furtar hoje. Amanhã já será muito tarde.”(Chaves, 2004)
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Esta semana depois da troca de livros feita semanalmente na biblioteca da escola cada grupo escolheu uma obra para fazer a dramatização ficou sensacional e eu me recordei justamente da disciplina de Literatura oferecida pelo PEAD onde nós alunos tivemos que encenar uma peça.
Mais ou menos envergonhados todos nós tivemos que nos preparar para o grande dia e foi maravilhoso pois tivemos oportunidade de conhecer habilidades que até então não conhecíamos uns dos outros. Descobrimos cantores, maquiadores, humoristas, hábeis costureiras, cabeleireiras, enfim... quando vejo agora meus alunos produzindo vejo que eles também aos poucos vão descobrindo suas habilidades e se auto conhecendo e conhecendo e aceitando melhor o outro.
Mais ou menos envergonhados todos nós tivemos que nos preparar para o grande dia e foi maravilhoso pois tivemos oportunidade de conhecer habilidades que até então não conhecíamos uns dos outros. Descobrimos cantores, maquiadores, humoristas, hábeis costureiras, cabeleireiras, enfim... quando vejo agora meus alunos produzindo vejo que eles também aos poucos vão descobrindo suas habilidades e se auto conhecendo e conhecendo e aceitando melhor o outro.
O teatro é um conhecimento que ultrapassa a idéia do desenvolvimento de uma forma de expressividade ou de desinibição, mas que possibilita também o desenvolvimento da operatoriedade(FÜRTH,1987,P.178). Conforme explica Ana Carolina Fucks, o fazer teatral torna possível uma maior compreensão por parte do indivíduo de si e do mundo que o cerca, pois exige uma reestruturação física e mental para tornar materiais e artísticas as idéias que pretende comunicar.
Viola Spolin, pesquisadora norte-americana, desenvolveu o sistema de aprendizado da linguagem teatral baseado na improvisação. A proposta dos jogos teatrais de Spolin está relacionada a "fisicalização", que é tornar físico, expressar e trazer para o plano material o que há no plano das intenções, das imagens, das sensações, dos pensamentos.
Numa postagem chamada sala de aula, minha paixão encontrei meu relato sobre a turma com a qual eu trabalhava em Rondinha: 12 alunos, idade entre 10 e 13 anos, a maioria das mães dona de casa, os pais em sua maioria comerciantes, aposentados e funcionários públicos.
Comecei a comparar com a minha turma atual: 31 alunos, idades entre 9 e 10 anos, a maioria das mães e pais trabalhadores na indústria de calçados.
Mas... Na sala que agora está repleta de alunos e portanto mais apertadinha também se encontra um cantinho para livros de literatura, também se faz muito trabalho de arte, também sentamos em grupos e a minha proposta de interação entre os alunos, entre as turmas, com os pais e com os outros setores da escola continua sendo batalhada dia após dia para que uma escola mais justa, igualitária, moderna e eficiente deixe de ser uma utopia para tornar-se realidade.
A contribuição que a educação pode trazer aos indivíduos não é a aquisição de um “corpo de conhecimentos”, algo exterior a ele, mas, possibilitar a “elaboração ou reelaboração de alguma forma reflexiva do sujeito consigo mesmo” (LARROSA, 1999, p.36).
Encontrei a primeira postagem de perguntas onde citei um texto chamado “Qual é a questão” extraído da obra "Internet em sala de aula", Porto Alegre: Artmed, 2003 "
"Questões que provavelmente não seriam as que o professor faria aos alunos como convite a estudar, abrem janelas inusitadas para que o conhecimento se construa interdisciplinarmente."
E aí eu me lembrei de como começamos na época lá em Rondinha minha amiga Stela e eu a instigar nossos alunos a fazerem perguntas e nos projetos lindos que construímos todos juntos.
Procurando a obra de onde retirei a citação acima encontrei o blog de uma colega do PEAD, a Roseli http://peadportfolio156683.blogspot.com/2010/10/qual-e-questao.html que também fez uma postagem onde ela coloca que a aprendizagem a partir das perguntas tem sabor... E que o medo de perguntar e se expor desaparece frente ao prazer de ir em frente.
“deveríamos pensar em criar ambientes abertos à explorações e interações, onde os alunos pudessem alimentar seus interesses e curiosidades, efetuar escolhas e ter o tempo necessário para experimentações.” Beatriz C. Magdalena e Iris Elisabeth Tempel Costa¹ (2003,p.2)
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